
Sua existência era árida. Velho e mesquinho, o medo de morrer na miséria só lhe trouxe mais pobreza e solidão. Quando o gato, sua única companhia, morreu, derramou-se em lágrimas. Tantas como a chuva que caía lá fora. Teve medo de secar ainda mais. Enterrou o bichano no canto do jardim sob uma fonte. Ali, mãos em concha, avidamente bebia.
escrito em 1º outubro 2007
7 comentários:
Simplicidade que eleva!!
Em simbiose, que avidez doente, que fúria solitária. Continuo a perguntar-me como consegue transmitir tanto, tão economicamente.
beijinho, semmana feliz
Obrigada aos dois!
Estou sempre meio correndo e atrasada para responder e agradecer a vocês. Ás vezes fico pensando como fazem os que tem milhares de comentários... uma secretária de blogues? Quem sabe uma nova ocupação surgindo?
gostei mamãe! fico feliz que vc descubriu essa vocação e essa diversão, às vezes queria ter mais tempo para brincar de fazer grandes histórias de poucas palavras. Beijo grande.
Querida Fábia
Quem sabe daqui a 32 anos você terá tempo pra fazer coisas que nem sonhamos agora?
E, quer coisa melhor do que brincar de fazer e construir pessoas maravilhosas com, ainda, pouco tamanho?
Esta brincadeira não posso mais, só curtir muito!!!
A arte do conto é, em literatura, a mais difícil de atingir a perfeição. E este é perfeito. Não lhe chamaria "microconto"; antes uma grande lição de vida.
É este que eu levo.
Bjjj
JG
É uma honra ter um conto levado ao seu magnifíco Zoo! Obrigada por tudo.
Postar um comentário