Trabalhava com prazer, se considerava mansa e despida de agressividade.
Um dia, viu–se com outros olhos.
O tecido, suave e dócil, era dilacerado de um lado a outro pelos cortes de sua tesoura que, sem dó nem piedade, rompia–lhe a trama. Alfinetes e agulhas o espetavam, transpassando a pele. Depois, eram os pontos da máquina como um trem correndo na campina, inclemente e barulhento. E, com que satisfação picotava as franjas nos vestidos! Sim, transformar era muito agressivo.
O tecido, suave e dócil, era dilacerado de um lado a outro pelos cortes de sua tesoura que, sem dó nem piedade, rompia–lhe a trama. Alfinetes e agulhas o espetavam, transpassando a pele. Depois, eram os pontos da máquina como um trem correndo na campina, inclemente e barulhento. E, com que satisfação picotava as franjas nos vestidos! Sim, transformar era muito agressivo.
escrito em 12-10-2007
5 comentários:
Quase esquizofrênico, na verdade...
125_azul
Acho que a tomada de consciência une as polaridades e não esquizofreniza mas integra. É assim que vejo!
Uma revelação... Me pôs para pensar...
Dudu
Quantas coisas simples fazemos que são tão agressivas...
um abraço.
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