sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

A TRISTEZA DAS COISAS III

SIM! EU VIGIO
A DECREPITUDE DA VIDA
DA CASA
DO HOMEM
DO OLHAR QUE ENXERGA
O QUE NÃO PODE VOLTAR
MESMO QUE AMANHEÇA
QUE CHEGUE A PRIMAVERA

O OUTONO SE ABRIGA
NAS ENTRANHAS
E DESABA O QUE OUTRORA
FOI BELO
 
EU VIGIO A MORTE
QUE NÃO CHEGA!
 
23-01-2020
A.SCHNOOR

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

A TRISTEZA DAS COISAS



SEMPRE SOUBE
QUE SUA CASA
ERA UM SER VIVO
 
SABIA TAMBÉM
QUE ANDAVA TRISTE
ATÉ QUE,
NO AUGE DAQUELE INVERNO,
NÃO DORMIU
ESCUTANDO SOLUÇOS
 
AO AMANHECER
O PRANTO BROTOU
E TODA A VILA
ACREDITOU
 

16 de janeiro de 2020 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

VIDA A DAR DE OMBROS


Linda e moça, no caixão
   a tatuagem parecia zombar. 
   Poderiam ter vestido o corpo 
           a esconder o deboche tão bem tatuado!  
            Só olhares atentos percebiam o ponto final.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

EXPERIÊNCIA ESTRANHA

Em meditação


Experiência estranha

No inicio dos anos sessenta, tinha pouco mais de 18 anos e estudava psicologia na PUC do RJ. 
Morava na Urca em casa de meus pais e, neste dia tirava, de forma mecânica e aborrecida, o pó dos moveis do quarto de dormir que dividia com minha irmã, quando ouvi um súbito zumbido originado em meu crânio.
Além das camas, tínhamos uma penteadeira dentro deste quarto e, assim que o zumbido cessou, eu me vi refletida neste espelho embora estivesse afastada de sua área de reflexo.
Ou seja: de algum ponto do quarto onde eu tinha consciencia de estar eu via mais duas imagens de mim. A que estava em frente ao espelho e a refletida na parte central do mesmo.
O mais importante me pareceu a absoluta ausência de limites no espaço. Meu âmbito de visão era absoluto, assim como o conteúdo de meus pensamentos era universal. Não havia frente ou costas, direita ou esquerda. O campo de visão e de consciência era absoluto.
Lembro bem que, por alguma razão, uma simples maçã – fruto- que estava no ambiente, foi percebida como “A maçã” em sua totalidade, o conceito em minha percepção era universal e não se prendia a aspecto algum do fruto.
Assim como esta experiência ocorreu, ela terminou e eu retornei espantada à condição prosaica em que estava anteriormente. No dia seguinte pude conversar com duas companheiras da faculdade e ambas haviam passado por fenômenos semelhantes. Uma delas enquanto fazia exercícios ao piano e a outra enquanto datilografava. 
Chegamos a questionar este fato com nosso professor de psicopatologia que o definiu como uma crise chamada “despersonalização”, o que não nos esclareceu nem abalou.
Algumas vezes depois aquele zumbido pareceu voltar, mas minha expectativa do seguimento do processo deve ter interrompido uma nova experiência.
Por muitas razões pessoais, resolvi relatar agora esta experiência, embora muitos anos já tenham decorrido. Em 18 -10 – 2019 - Angela Schnoor
COMPLEMENTO – outras experiências ocorridas em 1981 enquanto fazia exercícios de Yoga.
Neste ano, após o falecimento de minha mãe, comecei a fazer aulas de Yoga com Dagmar Krebs e puder passar por duas experiências interessantes e reveladoras. Foi uma época de descobertas e abertura de mente para conhecimentos até então negados ou ignorados.
A primeira ocorrência se deu quando, em relaxamento, deitada, percebi e pude ver parte de meu tronco se levantando e “sentando “ a partir de minha cintura. Senti muito medo e de alguma forma trouxe esta parte de volta a sua posição, deitada como todo o restante de mim.
A segunda vez em que isto ocorreu foi mais rápida e duradoura. Eu estava deitada, em relaxamento, quando me percebi fora de meu corpo, de pé, ao lado do corpo repousado. 

Não me assustei e pude perceber, em torno de todo o meu corpo, uma aura de formas multi coloridas, como pequenas setas em movimento constante e alternado em dois estágios de pequena altura entre as setas. A experiencia foi muito agradável e bela. 
Este desenho é apenas um exemplo - as setas de luz se moviam em torno do corpo todo





segunda-feira, 25 de novembro de 2019

O ESPÍRITO DAS GAIOLAS



O ESPÍRITO DAS GAIOLAS

Durante o tempo em que vivemos, encontramos vários tipos de pessoas.

As abençoadas pessoas-anestésicas, que nos suprimem as dores do corpo e as da alma.

Há as temidas pessoas-cirúrgicas, as que nos arrancam os males diretamente, por vezes à força. Estas estão ali nas crises agudas e não podemos, sem ônus grave, usá-las e abusá-las todo o tempo, mas, sem elas, caímos nas de...

"Uso diário" - as paliativas, que suavizam a dor e deixam para depois o enfrentamento das causas e resultados. Estas funcionam de forma semelhante às pessoas-curativo as que tampam as feridas, disfarçam os cortes, mas só servem para males superficiais.

Há ainda as que funcionam como alimentos fortalecedores, vitaminas e suplementos que nos permitem estar fortes e preparados para os embates, são elas que nos reforçam a autoconfiança, nos apoiam nas horas difíceis e podem até ter atitudes anestésicas e cirúrgicas se assim for necessário.

As escolhas são sempre nossas e, quando ficamos frágeis demais porque vivemos nos nutrindo de doçuras e produtos artificiais que minam nossas vidas e saúde, talvez precisemos de drogas anestésicas por todo o tempo de vida ou teremos que juntar força e coragem para enfrentar uma mudança radical que deixe à mostra o que é preciso extirpar.

Apenas quando abrimos as portas das gaiolas e deixamos livres nossas almas podemos perceber o quanto estivemos mantidos pelo conforto enganoso das prisões.

sábado, 23 de novembro de 2019

AO DESPEDIR DE ALGUÉM QUERIDO




Comungar é fazer algo em comum e comemorar é recordar com felicidade. 
Assim, prefiro sempre lembrar, junto com todos, amigos e família, aqueles que se despediram desta vida.

Penso que, independente de credo ou filosofia, temos certeza de permanecer neste mundo por, ao menos dois motivos: Pelas obras públicas e profissionais que deixamos na Sociedade em que vivemos e pela família que construímos onde, na intimidade e anonimato, semeamos valores que atravessarão os tempos através da cadeia de vida que geramos.

A melhor forma de alcançarmos a eterna lembrança é reviver e recontar nossas histórias. Passando para nossos filhos e netos as memórias dos entes queridos, nós os mantemos vivos mesmo que um dia tornem-se lendas e mitos, pois então farão parte da memória ancestral da humanidade.
Cada pessoa é como um quebra cabeças do qual cada um tem algumas peças. Falemos dela, contemos e recontemos as histórias cheias do entusiasmo daquele que se foi. Sei que haverá muito a dizer e contar e que esta é uma forma de manter sua vida para sempre, na alegria de termos partilhado sua luz.

Angela.
em algum Dezembro 

domingo, 17 de novembro de 2019

ALQUIMIA




ALQUIMIA

Na panela com bastante água, coloque o coração
Acrescente mel
Em fogo baixo, deixe que aqueça até mudar de cor
Em outra terrina, deite todas as mágoas e lágrimas possíveis até quase entornar. O fogo deve ser médio para que sequem totalmente, sem grudar no fundo
Na frigideira, leve a raiva ao fogo alto em um pouco de óleo puro, com uma pitada de sal. Bem tampada, frite-a até que se torne seca e dura como carvão
Assim que esturricar, jogue na lixeira sem perigo de sobrar qualquer farelo
Reponha o coração e não se esqueça de cantar enquanto deixa limpa a cozinha.