segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Cascudas

Margareth Rutherford as miss Marple






Leonor era uma velhinha, solteirona, pudica, apuradíssima! Sua casa, um primor! Tudo nos lugares e cheirando a limpo. Tinha horror de insetos e o spray contra os bichinhos andava sempre à mão. Um dia, era verão, deu de cara com uma barata enorme entrando pela janela da cozinha.
Seu terror foi total ao perceber uma outra andando no guarda louças. Em pouco tempo um enxame delas, gordas e marrons, ocupava toda a casa. Leonor caiu desmaiada e foi carregada para o jardim por um incontável numero de cascudas que, não se sabe como, aniquilaram a velha usando todo o arsenal de inseticida disponível. O cheiro do jardim ficou insuportável, mas as novas ocupantes fecharam a porta de entrada e se recolheram, pois já passava das sete!



escrito em 12-12-2007

5 comentários:

125_azul disse...

Nem Kafka Faria melhor! Bom demais!!!
beijinhos

dudv disse...

Nossa. Tenho nojo de barata. Conto assustador e excelente.

MA disse...

Fantástico Angela!
Ler o seu conto depois de um dia de trabalho foi uma delícia.

JG disse...

Desconcertante, de tão absurdo. Gosto, gosto, gosto tanto que vou levar mais a foto da miss que é uma maravilha.
Depois mande-me a conta com factura, pf, para eu descontar no IRS. Ou prefere que eu pague em espécie, livros, p.e.?

Bjjj

Angela disse...

Queridos amigos

125; dudv; ma;e JG!

Costumo adorar os textos surreais do Rui Manuel Amaral que leio e releio no blog
http://www.last-tapes.blogspot.com/
Mas, nunca me achava á altura de ousar um texto deste tipo. Quando escrevi, adorei fazê-lo mas nunca imaginei que outros gostassem, como vocês testemunharam!
Obrigada! e, já que não ficou tão parvo, dedico-o, então, ao Rui, pois foi de tanto o ler que me soltou a trava da racionalidade excessiva.
AVE RUI!!!