quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Arma de guerra

foto de Jan Saudek-parabellum




Pelo vão da porta, ela tinha visto a arma do soldado apontada para o pai, enquanto a mãe, nua na cama, chorava e implorava clemência. Depois, tudo ficou rubro, embaçado e muito triste. Mas, ela aprendeu o que fazer quando o pai a despia e chamava para seu quarto.



escrito em 1º-10-07

5 comentários:

125_azul disse...

Tão arrepiante que até dói...

eduardo disse...

Terrível, adorei!!!

Angela disse...

Amigos
Que espanto! Tenho percebido, como já disse, as múltiplas interpretações que um microconto enseja. Mas, agora, fiquei pasma pois fui reler o que escrevi e li uma história diferente da que escrevi.
Quando criei a história, ambientei-a na segunda guerra. O soldado era o vilão que ameaçou o pai, enquanto estuprava a mãe da criança. Esta faleceu e o pai pirou e fazia uso e abuso da filha que aprendeu com o pai, na cena primeira, a defender-se.

Hoje li o pai batendo na mãe e a matando por ciumes, suspeita de adultério. O soldado defendendo a mulher. A menina repetindo o soldado quando o pai vinha maltratá-la sob qualquer forma de abuso.
E percebo que ainda há outras possibilidades em aberto...
Qual a leitura de vocês?

125_azul disse...

Eu li o pai encontrando a mãe em situação de adultério com o soldado, que para se defender lhe apontou a arma e lhe bateu. A menina assiste e aprende o que deve fazer quando o pai voltar a tentar abusar dela...

Angela disse...

Quantas variantes! A sua percepção se parece com a do Beto. É tão interessante isto!
obrigada querida por mais um tempinho atracada neste porto!