segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Uma pedra de gelo



...caiu na grama ao ser posta em um copo. Tremeu de medo, imaginando quebrar-se ou morrer.
Era fria e dura, mas assim se sentia segura e íntegra. Como as de sua espécie, não costumava atrair contatos e não se importava pois, desde o inicio da vida, se lembrava de estar separada das demais em compartimento seguro e bem organizado. Era assim que lembrava de sua família e local de origem.
Quando caiu sobre a relva verde, rolou para um canto e não parecia importar a ninguém se sobreviveria.
Ao começar a derreter, foi perdendo a forma e a rigidez mas tentou manter a pose e a frieza embora o pavor do descontrole.
O filete que saía de si mesma em decomposição foi se embrenhando nos caminhos até que encontrou algumas formas semelhantes que o aceitavam sem questionar, alem de unir-se a ele de um modo totalmente insuspeitado. Parecia que eram iguais e se fundiam com alegria e entrega.  Mais incrível foi quando se juntaram a uma fonte que, para a pedra de gelo, pareceu deus ou uma grande mãe. Era uma quantidade grande de seres que, acolhidos neste volumoso, corria pelo gramado como uma única espécie, sem limites, tomados por imensa energia. Ao longe ela ouvia crianças gritando: Olha , aqui tem um rio

em 10-10- 2016

2 comentários:

Eduardo Oliveira disse...

Lindo, Angela.

Adorei.

Angela disse...

Oi Dudu! obrigada, tenho escrito pouco. um bj.