
Assim era conhecida na Vila, até a noite do incêndio.
Nascida em pleno inverno, em quase miséria, desde o berço teve gatos como companhia e agasalho. Evitava pessoas, dormia aos dias e vivia às noites. Quando o abandono doía de um jeito que nem compreendia, subia aos telhados e, como se miasse, pranteava junto aos animais.
No dia do fogo, quando ele chegou, tinha subido à chaminé mais alta. Seguro e rápido como felino, ela o viu escalar os telhados para salvá-la. Mas, o soldado ainda não podia imaginar que, além da vida dela, também resgataria sua humanidade perdida. Agarrada ao corpo do rapaz, a mulher nunca mais seria, apenas, dos gatos.
escrito em 27-08-2008 01h08'
3 comentários:
caeiro
belo texto e uma muito singela história. adorei esta.
Nossa. Eu achei que dária um belo filme.
Caeiro
Romãntico não é? Que bom estar lendo os minis!
Dudv
Não é que podia ser um curta? Ah, às vezes eu queria muitas vidas e tantos dons...
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