
Antes do sono chegar sentia um esvaziamento. O peito oco e branco - o nada! Assustava-se, abria os olhos e sentava na cama. Até que um dia, percebeu-a num canto do quarto. De negro, ainda sem a foice, com a batuta na mão, ela o ensaiava.
escrito em 8-12-2007
6 comentários:
Este ensaio dá medo, principalmente se depois há o vazio.
É verdade... cruel natureza a do ser humano, em que a única certeza que existe à nascença é das que mais dúvidas suscita...
"Ela o ensaiava". Andará ela a ensaiar-nos?
Dudv
O vazio não é o depois.Acho que, quando menos, será o nada e então, não fará diferença.
Já pensou no medo que deve ter o feto ao nascer?
Huckleberry Friend
Não sei se cruel, para mim suscita curiosidade!
Obrigada pela visita.
125azul
Creio que sim. Quantas vezes em sonhos, nas doenças, na despedida de outros, todo dia morremos um pouquinho mas ganhamos experiência, bagagem...
Gosto de todos os seus contos.
Mas estes que eu considero negros, são extraordinários.
Morremos um pouco todos os dias e renovamo-nos.
Beijos.
ma
seu gosto é também o meu!
obrigada.
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