quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Alquimia



Na panela com bastante água, coloque o coração. Acrescente mel. Em fogo baixo, deixe que ferva até mudar de cor. Em outra terrina, deite todas as mágoas e lágrimas possíveis até quase entornar. O fogo deve ser médio para que sequem totalmente, sem grudar no fundo. Na frigideira, leve a raiva ao fogo alto em um pouco de óleo puro, com uma pitada de sal. Bem tampada, frite-a até que se torne seca e dura como carvão. Assim que esturricar, jogue na lixeira sem perigo de sobrar qualquer farelo. Reponha o coração e não esqueça de cantar enquanto deixa limpa a cozinha.


escrito em 13-10-2010

9 comentários:

dudv disse...

Gostei.

Angela disse...

então, pratiquemos!

pessoana disse...

Cheguei aqui através do last-tapes.:-)

Parabéns pelos teus microargumentos!

Para a troca, uma receita popular no final deste conto:

http://belgavista.blogspot.com/2007/07/lio-do-zango.html

Angela disse...

Obrigada Pessoana,
seu blog é muito bom!
gostei imenso de sua história 'melada'!

José Eduardo Lopes disse...

na primeira temos o rubedo, na segunda o albedo, na última o nigredo; curiosamente, em três vasos distintos e na sequência oposta à tradicional. Acho a sua alquimia inovadora, mas devem ser coisas do coração ;)

Angela disse...

Caro José, não mencionei sequência, isto foi feito por vc. Por mim, as três ações ocorrem simultaneamente, daí tomarem recipientes distintos. Embora respeite a sabedoria da alquimia, podemos ser transgressores, de vez em quando! Afinal o que importa é que ouro buscamos...
Fico feliz com sua presença e colaboração, sempre rica e cheia de ensinamentos.

José Eduardo Lopes disse...

tomei de leve a narrativa, até porque, se os processos alquímicos fossem seguros e indubitáveis, caminharíamos em passeios de ouro como os das cidades míticas procuradas no seio das montanhas ou das florestas.
E logo hoje, a alquimia é diferente, e pode ser entrevista pelo olho da fechadura

ma disse...

" Reponha o coração e cante enquanto limpa a sua vida ...." acrescento eu.
Que conto lindo! Como faz bem à alma ler o que você escreve Angela.

Gostaria de ter estado consigo no dia 17 .....tanto mar.

Beijinhos

Angela disse...

Querida MA
que bom ter feito algum bem à você.
E, não sabes que estavas comigo no dia 17? Pois assim foi.