segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O balanço

cadeira de balanço - foto assinada


Assim desejava morrer, dizia. Calma, tranquila, sentada em cadeira de balanço. Como a respiração, no ir e vir, não voltaria mais. Não tinha uma cadeira assim em casa. Herdou uma, por sinal boa e bela. Passava ao largo da dita, nem pensar em sentar nela!


escrito em 05-02-2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Diluição

gaivota

muito tempo encapsulada, se preparava no escuro e em silêncio. A hora estava próxima embora a maioria desacreditasse. Seu corpo aceitava os comandos da mente e se transmutava. Quando a tormenta começou, pela janela aberta voou alto, acima das águas e dos gritos borbulhados. não se sabia mais compassiva.


escrito em 30-01-2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Cristal

Janela para o Céu - Fabrício Sthel


Serenidade. Assim a viam até o momento em que perdeu a rigidez aprendida na infância. O primeiro sinal de descontrole apareceu quando a morte rondou sua vida. O desequilíbrio quando se apaixonou por ela.


escrito em 05-02-2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Natureza

HumanNature


Escondido entre as folhagens do parque espiava um animal que paria várias crias, as lambia e depois alimentava nas tetas. Não entendia aquele processo, pensava que todos os seres saiam de ovos ou casulos, nutriam-se do verde e sozinhos faziam seu percurso até a morte. Vivia na mata e sempre se acreditou lagarta. Era humano.


escrito em 29-01-2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Aleluia!

imagem google


Fazia muito tempo buscavam, nos conventos e nas orações, o imaginado amor divino. Quando seus corpos se uniram pela primeira vez, um coro angelical cantou em seus ouvidos o esperado encontro.


escrito em 28-01-2011

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Réplicas

metro - imagem do google


Tinha sonhos recorrentes de estar num banco de metrô sem saber para onde ia. Naquela tarde, voltando para casa, cochilou no vagão. Ao acordar desconheceu o lugar e as palavras escritas ou faladas. Dentro de sua bolsa, exceto a foto, objetos e papéis não eram seus. Noutra parte do mundo uma moça foi encontrada dentro do metrô. Parecia dormir e tinha na bolsa, documentos em ordem. Foi reconhecida, mas estava morta.

escrito em 01-02-2011

Volta às aulas

propaganda em spam


Em criança, ir à escola era um prazer e nunca parou de estudar. Senil, quando some de casa, sempre o encontram à porta do grupo escolar segurando a mala infantil cheia de lápis, cadernos e a inesquecível merenda.


escrito 29-01-2011