No final dos
anos sessenta eu
trabalhava em um
estaleiro na Ponta da Areia, em Niterói.
Com horário
flexível, ao terminar
meu trabalho
não usava a lancha da
empresa. Precisava atravessar uma
faixa de mar
entre a Ilha e a
estrada que
me levaria à estação
das barcas para o
Rio de Janeiro.
Esta
travessia era
feita em
um pequeno
barco conduzido por
um homem
simples e rude - encarquilhado
pelo efeito do
sal marinho.
Toninho usava
um chapéu
que cobria seu
rosto tímido e conduzia o
barquinho empurrando-o dentro da
água através do mastro
que fincava no fundo
do mar e gerava o impulso.
Assim, ele
era o meu Caronte
pessoal, embora o
Rio de Janeiro
não fosse, ainda, o
inferno em
que se transformou.
Fevereiro de
2016