quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Prisioneiro da feiúra




Beirava sessenta e nunca tivera amante. Como prefeito conseguiu pretexto para invadir casas de jovens onde fazia pequenos furtos. Pego por uma gravação, descobriu-se que roubava calcinhas. O juiz moderou a pena condoído com a feiúra do pobre homem até descobrir que ele roubava para uso pessoal


escrito em 29-08-2012

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Paixão



imagem da_peca-prometheus

Foi amado e desejado por muitas mulheres: irmãs, amigas, esposa. Amou a todas, cada uma a seu modo e a seu tempo, mas  seu desejo pertencia aos homens, de todos os modos, a todo tempo.

escrito em 22-08-2012

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Incendiária



Antes dos encontros passou a tomar banho e nunca se enxugava. Ela era tão ardente que ele sempre ficava chamuscado.

em 19-08-2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Homicídio culposo



Tinha índole agressiva, intensa e incontrolável. Ao vê-la,  apaixonou-se. Seu olhar voraz a inflamou, sobraram cinzas.

escrito em 19-08-2012

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Identidade




ficha do Dops


Identidade

A repressão continuava, embora sem aparência brutal. De um dia para outro suas mensagens foram devolvidas, seu perfil nas redes sociais apagado; tentou correio convencional e as cartas voltavam. Os vizinhos não respondiam aos cumprimentos e a venda do bairro cancelou seu fiado.
Pior quando sua matrícula no mestrado foi negada por não reconhecerem seus documentos: Fotoassinatura incompatíveis. A escola onde dava aulas estava fechada e a secretária não o reconheceu. Deu seu nome a um aluno, e ao perguntar se o conhecia ouviu outra negativa.
Solicitados, novos documentos seguiam negados sistematicamente. Durante anos tentou concursos em todo tipo de empresa sem obter sequer inscrição.
Abatido, conseguiu ocupação como faxineiro de uma mansão bem longe de casa. Em pouco tempo a excelência de seu serviço o promoveu a copeiro. Pela proteção da antiga cozinheira, foi convocado a servir na recepção a figuras ilustres. Foi então que percebeu, no olhar diferente de um conviva, a luz da familiaridade. Naquela noite, em fuga, dormiu nas ruas.
De volta a casa, ao vê-lo, o porteiro apanhou o interfone e se ausentou. Porta trancada,  campainha muda. Voltou à rua e dormiu sob o viaduto na companhia de um cão vadio. Sentia-se perseguido, vigiado e assustado com os efeitos do medo sobre sua mente fragilizada.
No centro da cidade, em um velho e decaído hotel, sob nome inventado, conseguiu quarto. A cachaça matou a dor da fome. Antes de dormir encontrou uma arma, coisa estranha, na gaveta da cabeceira. Deitou com ela na mão. Na madrugada acordou para urinar. Ao olhar o espelho sobre a pia, deu com um rosto suspeito, estranho e perigoso. Sem pensar, atirou.
Quando a polícia chegou, o gerente do hotel, pela colaboração e pela arma, recebeu seu pagamento.
Nos jornais matinais, aquele nome negado há anos, aparecia em destaque como perigoso subversivo foragido.



escrito em 18-08-2012

domingo, 19 de agosto de 2012

NO ESCURO


imagem do filme - institute benjamenta

No escuro,

e quieto, envolto em fantasmas e passado. Quando ela entrava a vida se iluminava, as imagens surgiam desejosas do existir através de palavras e das mãos dela sobre o teclado.

escrito em 18-08-2012

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Mundo novo



Caminhavam a braçadas largas. fazia tempo que não se podia pisar naquelas paragens. Iam de cabeça para  baixo, sustentados por braços e mãos, adaptadas com garras e ventosas. Depois, como morcegos, não suportavam a luz e sugavam a vida uns dos outros. Foi assim que o mundo deixou de ser humano e nem sabem mais como chamá-lo pois perderam a voz e a dignidade.


escrito em 15-08-2012